Ainda como parte das atividades desenvolvidas no decorrer da disciplina de Educação Especial, temos que sugerir ações para a situação problema e ajudar a aluna Maria Roseli Gadotti Freire do 6º ano que tem como deficiência "Baixa visão". Maria Roseli tem problemas com concentração e baixa fixação de conteúdos, não é alfabetizada e não é acompanhada por uma equipe multidisciplinar. A garota não usa óculos, o que tem trazido problemas e agravado suas dificuldades.
O que nós, pedagogos(as) em formação podemos fazer para incluir Maria Roseli no processo de ensino aprendizagem?
Para
tanto, a equipe iniciou pelo registro de uma exploração mais detida a respeito
do problema em si, seus aspectos gerais e principais danos ao desenvolvimento
educacional dos que têm a referida deficiência. Seguiu-se a esse registro a
apresentação de algumas soluções práticas com base em um breve apanhado de
alguns pontos trazidos pelo material teórico trabalhado na disciplina.
Por
fim, a equipe expõe algumas considerações finais a respeito dos tópicos
abordados por meio de um posicionamento do grupo acerca da problemática
analisada.
BAIXA
VISÃO – EXPLORANDO A DEFICIÊNCIA
A
Portaria nº 3.128, de 24 de dezembro de 2008 (Define que as Redes Estaduais de
Atenção à Pessoa com Deficiência Visual sejam compostas por ações na atenção
básica e Serviços de Reabilitação Visual), da lavra do Ministério da Saúde,
define em seu Art. 1º, §1º, que “Considera-se pessoa com deficiência visual
aquela que apresenta baixa visão ou
cegueira.” (Grifo nosso).
Com
efeito, a mesma norma traz o conceito de baixa
visão conforme segue:
§ 2º Considera-se baixa visão ou visão
subnormal, quando o valor da acuidade visual corrigida no melhor olho é menor
do que 0,3 e maior ou igual a 0,05 ou seu campo visual é menor do que 20º no
melhor olho com a melhor correção óptica (categorias 1 e 2 de graus de
comprometimento visual do CID 10) [...]
Dada a necessidade de explicação menos
técnica, do ponto de vista da aplicabilidade ao presente trabalho, recorremos
ao conceito cunhado pelo professor Antônio João Menescal Conde quando da
produção de artigo para o Instituto Benjamin Constant (MEC, 2017) onde
explicava que uma pessoa tem visão subnormal (ou baixa visão) quando pode ver a
aproximadamente 6 metros o que uma pessoa de visão normal poderia ver a 60
metros e/ou se ela possui um campo visual entre 20º e 50º.
Complementando, no mesmo artigo, o professor
pontua que, pedagogicamente, deve ser considerada pessoa com baixa visão aquela
que “lê
tipos impressos ampliados ou com o auxílio de potentes recursos ópticos”.
Pretendendo
adentrar na questão dos recursos mais adiante, ressalte-se que, é por meio da
visão que a criança estabelece os contatos iniciais mais significativos com o
mundo. À medida em que cresce, outros sentidos (audição, tato, olfato) vão se
somando a esta capacidade de percepção do mundo, possibilitando a
complementação ideal para o processo de ensino aprendizagem. Em resumo, os
processos de ensino tradicionais estão voltados para a situação ideal, onde o
indivíduo possui o conjunto de sentidos acima citados e consegue aprender por
tê-los todos imbuídos nesta tarefa.
A
deficiência de um desses sentidos, neste caso, a baixa visão, também conhecida
como ambliopia ou visão residual, resulta numa sensível perda na capacidade de
aprendizagem, conforme enunciado da situação-problema. “Problemas de
concentração e fixação de conteúdo” são óbices inevitáveis ao aprendizado
quando da ocorrência da visão subnormal. Como concentrar-se em algo que sequer
é devidamente enxergado? Consequentemente, como fixar um conteúdo no qual não
se consegue concentrar? Neste contexto, os resultados da fictícia estudante
Maria Roseli Gadotti Freire são bem reais: 6º ano e ainda não alfabetizada.
Parte da resolução desses
problemas foram colocados no próprio enunciado, a saber, o acompanhamento por
uma equipe preparada (multidisciplinar), e a utilização dos recursos adequados
(óculos, por exemplo) conforme posto anteriormente.
Desta forma, apenas para
tornar mais prática a leitura, o tópico a seguir apresenta soluções que partem
dos pressupostos já demonstrados no enunciado, frisando-se desde já a
existência de inúmeras outras possibilidades.
(DENTRE
AS) SOLUÇÕES POSSÍVEIS
Formação de Professores
Apesar de não ser, em si, uma intervenção direta na
situação-problema acima exposta, além de ter sido abordada (ainda que
indiretamente) no enunciado, a formação docente mais abrangente, mormente no
caso da educação especial, faz-se condição sine
qua non na busca de soluções para o aprendizado da criança com baixa visão.
Isso é tão verdade que em 2007 o MEC promoveu a “Formação
Continuada a Distância de Professores para o Atendimento Educacional
Especializado”, dedicando um compêndio inteiro para a questão da deficiência
visual. O material deixa claro que é necessário haver um preparo específico por
parte dos docentes, a reorientação da prática educacional com o fim de, não
apenas promover a inclusão e a integração, como também promover o aprendizado.
Sem o devido preparo, o professor se arrisca a incorrer no erro de
negligenciar certas necessidades advindas da deficiência visual, bem como
permitir que seus conceitos, preconceitos, gestos, atitudes e posturas se
transformem em bloqueios ao aprendizado dos estudantes. Dito isto, vejamos
alguns recursos utilizáveis na educação de alunos com baixa visão, retirados do
próprio material do MEC.
Recursos Ópticos
Uma das dificuldades citadas na
situação-problema foi a falta de óculos. É provável que este recurso seja o
mais palpável para a maioria dos pais que tenham filhos com esta deficiência.
Detectado o problema, certamente o especialista (oftalmologista) receitaria
óculos especiais, com lentes de aumento para a melhora da visão de perto.
Não obstante, o material apresenta
outros recursos semelhantes possíveis de serem adotados pelo professor por meio
da escola: telescópios, lunetas, telessistemas, telelupas, todos com o fim de
que o estudante enxergue devidamente o quadro.
Outros recursos ópticos seriam as
lupas manuais ou lupas de mesa e de apoio. Estes equipamentos são facilmente
encontrados no mercado e muito úteis para ampliar as letras, mapas, figuras, etc., colocados próximos ao estudante.
Recursos Não-ópticos
Em linhas gerais, os recursos aqui
citados vão além das lente citadas no tópico anterior, sendo utilizados como
acessórios que proporcionam maior facilidade de visualização do material
manuseado. São eles:
·
Ampliação de fontes, de sinais e símbolos
gráficos em livros, apostilas, textos avulsos, jogos, agendas, entre outros;
·
Plano inclinado: carteira adaptada, com a
mesa inclinada para que o aluno possa realizar as atividades com conforto
visual e estabilidade da coluna vertebral;
·
Lápis 4B ou 6B, canetas de ponta porosa,
suporte para livros, cadernos com pautas pretas espaçadas, tiposcópios (guia de
leitura), gravadores.
·
Softwares com magnificadores de tela e
Programas com síntese de voz.
·
Circuito fechado de televisão (CCTV):
aparelho acoplado a um monitor de TV monocromático ou colorido que amplia até
60 vezes as imagens e as transfere para o monitor.
Recursos
didáticos
Finalizando nossa
lista de soluções, ressaltamos a importância da utilização adequada de recursos
didáticos que possibilitem a interação e despertem o interesse e promovam a
aprendizagem significativa da criança com baixa visão. Alguns destes recursos
já foram apresentados no trabalho desta equipe no último dia 12 de março
(Atendimento Educacional Especializado), mostrando que, no mais das vezes,
basta a criatividade para que os mesmos sejam selecionados, confeccionados ou
adaptados, conforme se vê a seguir:
·
Uso de figuras e letras grandes, como o
alfabeto em letras cursivas confeccionadas com emborrachado, papelão ou em
arame flexível;
·
Medidor: garrafas plásticas de água mineral
cortadas, com capacidade para um litro e meio;
·
O próprio livro de emborrachado produzido
pelas equipes em salas de aula. O material, além de permitir cores mais
chamativas que facilitam a visualização, apresenta relevos e textura muito
úteis ao aprendizado das crianças com baixa visão.
Conclusão
O trabalho foi
desenvolvido com base no referencial teórico disponibilizado na disciplina e
nas experiências adicionais que o olhar mais aguçado sobre o tema, o qual a
abordagem feita em sala de aula pôde permitir. Não raras foram as vezes em que
as discussões em sala nos fizeram chegar à seguinte conclusão: as 40 horas/aula
não são suficientes para o pleno preparo que a temática requer. Todavia não
temos dúvida de uma coisa: estas preciosas horas foram essenciais para o
despertar desses pedagogos em formação para uma busca individual e coletiva dos
saberes necessários à promoção da educação, mormente a educação especial. Desta
forma, estamos sedentos pelo aprendizado que promova soluções, não apenas para
as situações de exercício como as de Maria
Roseli, mas principalmente para os concretos casos complexos que nos
aguardam no porvir.
REFERÊNCIAS
NOVA ESCOLA. Dicionário da inclusão: Aprenda quais são os termos corretos e ensine
seus alunos. Ed. 319, 01 fev. 2019. Disponível em: < https://novaescola.org.br/conteudo/15182/dicionario-da-inclusao-aprenda-quais-sao-os-termos-corretos-e-ensine-seus-alunos> Acesso
em: 16/04/2019
BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria
nº 3.128, de 24 de dezembro de 2008. Define
que as Redes Estaduais de Atenção à Pessoa com Deficiência Visual sejam
compostas por ações na atenção básica e Serviços de Reabilitação Visual. Disponível
em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2008/prt3128_24_12_2008.html> Acesso
em: 16/04/2019.
BRASIL. Ministério da Educação. Definição de cegueira e baixa visão.
Disponível em: < http://www.ibc.gov.br/fique-por-dentro/cegueira-e-baixa-visao> Acesso
em: 16/04/2019.












