terça-feira, 16 de abril de 2019

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Olá pessoal!


Ainda como parte das atividades desenvolvidas no decorrer da disciplina de Educação Especial, temos que sugerir ações para a situação problema e ajudar a aluna Maria Roseli Gadotti Freire do 6º ano que tem como deficiência "Baixa visão". Maria Roseli tem problemas com concentração e baixa fixação de conteúdos, não é alfabetizada e não é acompanhada por uma equipe multidisciplinar. A garota não usa óculos, o que tem trazido problemas e agravado suas dificuldades. 

O que nós, pedagogos(as) em formação podemos fazer para incluir Maria Roseli no processo de ensino aprendizagem?






















            Para tanto, a equipe iniciou pelo registro de uma exploração mais detida a respeito do problema em si, seus aspectos gerais e principais danos ao desenvolvimento educacional dos que têm a referida deficiência. Seguiu-se a esse registro a apresentação de algumas soluções práticas com base em um breve apanhado de alguns pontos trazidos pelo material teórico trabalhado na disciplina.
            Por fim, a equipe expõe algumas considerações finais a respeito dos tópicos abordados por meio de um posicionamento do grupo acerca da problemática analisada.


BAIXA VISÃO – EXPLORANDO A DEFICIÊNCIA
           
            A Portaria nº 3.128, de 24 de dezembro de 2008 (Define que as Redes Estaduais de Atenção à Pessoa com Deficiência Visual sejam compostas por ações na atenção básica e Serviços de Reabilitação Visual), da lavra do Ministério da Saúde, define em seu Art. 1º, §1º, que “Considera-se pessoa com deficiência visual aquela que apresenta baixa visão ou cegueira.” (Grifo nosso).
            Com efeito, a mesma norma traz o conceito de baixa visão conforme segue:
§ 2º Considera-se baixa visão ou visão subnormal, quando o valor da acuidade visual corrigida no melhor olho é menor do que 0,3 e maior ou igual a 0,05 ou seu campo visual é menor do que 20º no melhor olho com a melhor correção óptica (categorias 1 e 2 de graus de comprometimento visual do CID 10) [...]

            Dada a necessidade de explicação menos técnica, do ponto de vista da aplicabilidade ao presente trabalho, recorremos ao conceito cunhado pelo professor Antônio João Menescal Conde quando da produção de artigo para o Instituto Benjamin Constant (MEC, 2017) onde explicava que uma pessoa tem visão subnormal (ou baixa visão) quando pode ver a aproximadamente 6 metros o que uma pessoa de visão normal poderia ver a 60 metros e/ou se ela possui um campo visual entre 20º e 50º.
            Complementando, no mesmo artigo, o professor pontua que, pedagogicamente, deve ser considerada pessoa com baixa visão aquela que “lê tipos impressos ampliados ou com o auxílio de potentes recursos ópticos”.
            Pretendendo adentrar na questão dos recursos mais adiante, ressalte-se que, é por meio da visão que a criança estabelece os contatos iniciais mais significativos com o mundo. À medida em que cresce, outros sentidos (audição, tato, olfato) vão se somando a esta capacidade de percepção do mundo, possibilitando a complementação ideal para o processo de ensino aprendizagem. Em resumo, os processos de ensino tradicionais estão voltados para a situação ideal, onde o indivíduo possui o conjunto de sentidos acima citados e consegue aprender por tê-los todos imbuídos nesta tarefa.
            A deficiência de um desses sentidos, neste caso, a baixa visão, também conhecida como ambliopia ou visão residual, resulta numa sensível perda na capacidade de aprendizagem, conforme enunciado da situação-problema. “Problemas de concentração e fixação de conteúdo” são óbices inevitáveis ao aprendizado quando da ocorrência da visão subnormal. Como concentrar-se em algo que sequer é devidamente enxergado? Consequentemente, como fixar um conteúdo no qual não se consegue concentrar? Neste contexto, os resultados da fictícia estudante Maria Roseli Gadotti Freire são bem reais: 6º ano e ainda não alfabetizada.
Parte da resolução desses problemas foram colocados no próprio enunciado, a saber, o acompanhamento por uma equipe preparada (multidisciplinar), e a utilização dos recursos adequados (óculos, por exemplo) conforme posto anteriormente.
Desta forma, apenas para tornar mais prática a leitura, o tópico a seguir apresenta soluções que partem dos pressupostos já demonstrados no enunciado, frisando-se desde já a existência de inúmeras outras possibilidades.


(DENTRE AS) SOLUÇÕES POSSÍVEIS

Formação de Professores         
Apesar de não ser, em si, uma intervenção direta na situação-problema acima exposta, além de ter sido abordada (ainda que indiretamente) no enunciado, a formação docente mais abrangente, mormente no caso da educação especial, faz-se condição sine qua non na busca de soluções para o aprendizado da criança com baixa visão.
Isso é tão verdade que em 2007 o MEC promoveu a “Formação Continuada a Distância de Professores para o Atendimento Educacional Especializado”, dedicando um compêndio inteiro para a questão da deficiência visual. O material deixa claro que é necessário haver um preparo específico por parte dos docentes, a reorientação da prática educacional com o fim de, não apenas promover a inclusão e a integração, como também promover o aprendizado.
Sem o devido preparo, o professor se arrisca a incorrer no erro de negligenciar certas necessidades advindas da deficiência visual, bem como permitir que seus conceitos, preconceitos, gestos, atitudes e posturas se transformem em bloqueios ao aprendizado dos estudantes. Dito isto, vejamos alguns recursos utilizáveis na educação de alunos com baixa visão, retirados do próprio material do MEC.


Recursos Ópticos
            Uma das dificuldades citadas na situação-problema foi a falta de óculos. É provável que este recurso seja o mais palpável para a maioria dos pais que tenham filhos com esta deficiência. Detectado o problema, certamente o especialista (oftalmologista) receitaria óculos especiais, com lentes de aumento para a melhora da visão de perto.
            Não obstante, o material apresenta outros recursos semelhantes possíveis de serem adotados pelo professor por meio da escola: telescópios, lunetas, telessistemas, telelupas, todos com o fim de que o estudante enxergue devidamente o quadro.
            Outros recursos ópticos seriam as lupas manuais ou lupas de mesa e de apoio. Estes equipamentos são facilmente encontrados no mercado e muito úteis para ampliar as letras, mapas, figuras, etc., colocados próximos ao estudante.
Recursos Não-ópticos
            Em linhas gerais, os recursos aqui citados vão além das lente citadas no tópico anterior, sendo utilizados como acessórios que proporcionam maior facilidade de visualização do material manuseado. São eles:
·         Ampliação de fontes, de sinais e símbolos gráficos em livros, apostilas, textos avulsos, jogos, agendas, entre outros;
·         Plano inclinado: carteira adaptada, com a mesa inclinada para que o aluno possa realizar as atividades com conforto visual e estabilidade da coluna vertebral;
·         Lápis 4B ou 6B, canetas de ponta porosa, suporte para livros, cadernos com pautas pretas espaçadas, tiposcópios (guia de leitura), gravadores.
·         Softwares com magnificadores de tela e Programas com síntese de voz.
·         Circuito fechado de televisão (CCTV): aparelho acoplado a um monitor de TV monocromático ou colorido que amplia até 60 vezes as imagens e as transfere para o monitor.

Recursos didáticos
            Finalizando nossa lista de soluções, ressaltamos a importância da utilização adequada de recursos didáticos que possibilitem a interação e despertem o interesse e promovam a aprendizagem significativa da criança com baixa visão. Alguns destes recursos já foram apresentados no trabalho desta equipe no último dia 12 de março (Atendimento Educacional Especializado), mostrando que, no mais das vezes, basta a criatividade para que os mesmos sejam selecionados, confeccionados ou adaptados, conforme se vê a seguir:
·         Uso de figuras e letras grandes, como o alfabeto em letras cursivas confeccionadas com emborrachado, papelão ou em arame flexível;
·         Medidor: garrafas plásticas de água mineral cortadas, com capacidade para um litro e meio;
·         O próprio livro de emborrachado produzido pelas equipes em salas de aula. O material, além de permitir cores mais chamativas que facilitam a visualização, apresenta relevos e textura muito úteis ao aprendizado das crianças com baixa visão.

Conclusão
            O trabalho foi desenvolvido com base no referencial teórico disponibilizado na disciplina e nas experiências adicionais que o olhar mais aguçado sobre o tema, o qual a abordagem feita em sala de aula pôde permitir. Não raras foram as vezes em que as discussões em sala nos fizeram chegar à seguinte conclusão: as 40 horas/aula não são suficientes para o pleno preparo que a temática requer. Todavia não temos dúvida de uma coisa: estas preciosas horas foram essenciais para o despertar desses pedagogos em formação para uma busca individual e coletiva dos saberes necessários à promoção da educação, mormente a educação especial. Desta forma, estamos sedentos pelo aprendizado que promova soluções, não apenas para as situações de exercício como as de Maria Roseli, mas principalmente para os concretos casos complexos que nos aguardam no porvir.

REFERÊNCIAS

NOVA ESCOLA. Dicionário da inclusão: Aprenda quais são os termos corretos e ensine seus alunos. Ed. 319, 01 fev. 2019. Disponível em: < https://novaescola.org.br/conteudo/15182/dicionario-da-inclusao-aprenda-quais-sao-os-termos-corretos-e-ensine-seus-alunos> Acesso em: 16/04/2019

BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 3.128, de 24 de dezembro de 2008. Define que as Redes Estaduais de Atenção à Pessoa com Deficiência Visual sejam compostas por ações na atenção básica e Serviços de Reabilitação Visual. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2008/prt3128_24_12_2008.html> Acesso em: 16/04/2019.

BRASIL. Ministério da Educação. Definição de cegueira e baixa visão. Disponível em: < http://www.ibc.gov.br/fique-por-dentro/cegueira-e-baixa-visao> Acesso em: 16/04/2019.




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